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A abertura do mercado para bancos internacionais pode salvar o setor de TI

A abertura do mercado para bancos internacionais pode salvar o setor de TI

Quase no apagar das luzes de 2018, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lançou uma campanha cujo o slogan é Como fazer os juros serem mais baixos no Brasil. Esse tema é sempre muito interessante para o setor produtivo e faz parte da nossa luta diária há anos. A publicação, porém, distribuída gratuitamente pela entidade, está mais para uma jogada de marketing do que para qualquer intenção real de solucionar o problema de crédito no País.

São 21 medidas propostas pela Federação, mas faltou uma, talvez a principal e a única que traria resultados reais e imediatos: a abertura do mercado bancário brasileiro para instituições internacionais. Em declaração feita em dezembro, nem mesmo o presidente da instituição, Murilo Portugal, conseguiu confirmar que as propostas garantiriam a redução dos juros e, consequentemente, a facilitação do acesso ao crédito.

Estou certo, como representante da indústria de tecnologia da informação de Brasília, de que somente a livre concorrência nos traria condições mais favoráveis de empreender neste País. Afinal, o spread bancário brasileiro é um dos maiores do mundo! E essa é uma grave consequência provocada pela limitação do mercado bancário nacional.

O balanço econômico e financeiro divulgado em dezembro de 2018 pelo jornal Valor Econômico nos conta uma história muito interessante e injusta.

Os seis maiores bancos brasileiros juntos correspondem a 23,9% de toda a receita bruta produzida pelos 200 maiores grupos de empresas do País. De acordo com o jornal, no ano passado, eles foram responsáveis por R$ 952 bilhões dos R$ 3,97 trilhões da receita consolidada considerada no estudo anual feito pelo veículo.

A concentração financeira é ainda mais gritante quando consideramos o lucro líquido desses grupos, que representam cerca de 5 mil empresas. Entre os milhares de empreendimentos mais lucrativos do Brasil, os seis principais bancos nacionais representam 46% do lucro gerado no ano passado. Isso é um absurdo e precisa ser mudado!

A Febraban diz que não é o lucro dos bancos que pesa no spread bancário, que ele corresponde a apenas 15%. A Federação culpa principalmente a taxa de risco de calote, que corresponde a quase 40% do spread. Mas isso é bobagem.

Para garantirem reserva aos bancos, os bons pagadores acabam tendo que pagar a mais pelo crédito. Nesse cenário, é quase impossível empreender, abrir um negócio, empregar profissionais de qualidade, manter uma empresa financeiramente saudável e ajudar a economia do País.

A entrada de bancos internacionais, ideia simpática ao presidente da República, Jair Messias Bolsonaro, nos traria grande alívio. O que vai predominar vai ser a lei da concorrência, as instituições terão de se adaptar, a legislação deverá ser revista e o crescimento das empresas se transformará em mais empregos para a população. A matemática pode ser simples, se houver vontade política.

Há uma lei de mercado muito simples que nos é ensinada ainda nas salas de aula da educação básica: por lá impera a lei da oferta e da procura. Isso é mais do que óbvio. Não adianta dizer que a culpa é da inadimplência, do sistema tributário brasileiro ou da insegurança jurídica para quem empresta dinheiro. Se não há concorrência, não há disputa de mercado, não há vantagens para o tomador do crédito, não há opção para o empresário ou para o cidadão comum.

Estamos nas mãos de poucas instituições e, se o novo governo quiser mesmo retomar o crescimento do País, precisa proporcionar ao setor produtivo condições de produzir mais, empregar mais e gerar mais dinheiro.

Sobre o Autor

Ricardo Caldas

Diretor-presidente e fundador da Telemikro Telecomunicações Informática e Microeletrônica S.A., é graduado em Engenharia Elétrica - Departamento de Engenharia Elétrica - UnB (1984) e mestre pelo Departamento de Engenharia Elétrica - UnB (1987). Presidente do Sinfor - Sindicato das Indústrias da Informação do DF, também faz parte do Conselho da FIBRA, Conselho da ABES, Conselheiro no CATI e no Sesi-DF. Foi primeiro vice presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal, Conselheiro no Conselho de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal, vice presidente do Sindicato da Indústria da Informação do DF - Sinfor, Conselheiro na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Conselheiro da CNI - Confederação Nacional da Indústria.

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