fbpx

Select Page

A tecnologia como aliada para combater os impactos do coronavírus

A tecnologia como aliada para combater os impactos do coronavírus

Startups, GovTechs e healthtecs apostam em soluções funcionais e relevantes neste cenário de pandemia

A pandemia do coronavírus no Brasil evidenciou como o planejamento e a prevenção são estratégias quase ausentes para enfrentar a grave crise que vivemos atualmente. Especialistas apontam que a resposta de parte dos estados foi relativamente rápida, mas ainda estamos longe de possuir diretrizes claras e ferramentas eficientes para garantir o combate à doença.

Ciente dessa limitação, as gestões públicas federal, estadual e também municipal têm buscado soluções e alternativas para conter o avanço da pandemia e evitar que o cenário trágico que observamos em outros países, como Itália e Espanha, por exemplo, se repita por aqui.

Temos uma tarefa bastante árdua pela frente. Até o fim de semana, o Brasil já registrava quase 2,5 mil mortes e mais de 38,6 mil casos confirmados, de acordo com informações do Ministério da Saúde. Contudo, a falta de precisão das ações de controle e a quantidade insuficiente de testes para quem apresenta os sintomas deixam dúvidas se os casos da doença não estão, na verdade, subnotificados.

Os dados reafirmam a seriedade e urgência do momento que estamos vivendo. Nesse contexto, decisões rápidas e efetivas precisam ser tomadas, e não há tempo a perder. Todas as ações públicas precisam ser absolutamente bem direcionadas e com alto impacto positivo para ajudar a prevenir o número de doentes, reduzir o número de mortes e também evitar o colapso dos serviços públicos, especialmente do sistema de saúde.

A boa notícia é que as tecnologias têm se mostrado como ferramentas poderosas para enfrentar os desafios trazidos pela pandemia. Desde antes da divulgação do primeiro caso do coronavírus no Brasil, em 26 de fevereiro, as organizações trataram de desenvolver novas soluções e políticas para auxiliar as pessoas neste momento. As plataformas de entregas, por exemplo, são essenciais para agilizarem o delivery em todo o País, única forma para manter o varejo funcionando com as portas fechadas durante a quarentena. Sistemas de gestão e organização, por sua vez, estruturaram o home office, ainda que a legislação não seja tão clara nesse sentido.

Mas é o trabalho das startups que tem chamado a atenção e alertado para a importância dessas organizações. Em especial, tenho acompanhado a atuação das empresas que fazem parte da rede do BrazilLAB: são GovTechs, startups de base tecnológica, que produzem soluções especificamente voltadas a atuação dos governos.

As GovTechs têm mostrado como suas soluções podem ser valiosas para prevenir, controlar e retardar o avanço do coronavírus no País. São ferramentas aplicadas nas mais diferentes áreas, de educação até segurança pública.

Um exemplo vem da assistência social. A startup Gesuas, vencedora do 3° Ciclo de Aceleração do BrazilLAB, produziu o primeiro prontuário eletrônico para a gestão da política de assistência social. Atenta à relevância da prestação desse serviço para a população mais vulnerável, disponibilizou gratuitamente o Gesuas Covid-19 para todos os municípios brasileiros. Com ele, os processos de concessão de benefícios poderão ser realizados mais rapidamente, as informações estarão sistematizadas em um só local e, ainda, os servidores públicos podem acessar tudo remotamente – uma alternativa para que possam também fazer home office.

Por ser uma emergência de saúde pública, as healthtechs têm ganhado destaque com suas ações para o combate da pandemia. Algumas tendências e ferramentas que, até então, pareciam coisa “do futuro” passam a ter um valor imenso no tempo presente. É o caso da telemedicina. A crise que vivemos e o potencial risco ao sistema de saúde acelerou o debate sobre a regulamentação dessa alternativa e, nas últimas semanas, algumas modalidades foram aprovadas, permitindo que a implementação seja possível.

O princípio é relativamente simples; um médico realiza uma consulta, via câmera do celular ou computador, com o paciente que está em casa, podendo avaliar a gravidade dos sintomas e recomendar o melhor tratamento. Uma solução rápida, com baixo custo e que pode ser valiosa em um momento em que precisamos de ações de saúde que reduzam o risco de contaminação e que sejam rápidas e escaláveis.

Soluções também como a da startup UpSaúde, que está atuando junto aos municípios, com salas de situação e serviços de monitoramento, teleconsultoria e teleorientação. E a Universaúde, que compartilhou sua ferramenta de chat online para tirar dúvidas da população sobre a doença – e está disponível 24 horas por dia. Ou ainda a Doctoralia, que foi implementada na cidade de Curitiba (PR) e permitirá o atendimento diário de aproximadamente 700 pacientes via solução de telemedicina.

É interessante notar que as alternativas não precisam ser tão elaboradas e complexas, como inteligência artificial, telemedicina ou sistemas complexos de monitoramento e análise. Ideias simples, mas funcionais, também conseguem resultados satisfatórios. É o que mostra a Coreia do Sul, que tem sido exemplar em suas ações para controlar o avanço da doença.

Evidentemente há diversos fatores que explicam o sucesso sul-coreano, mas é inegável que o uso da tecnologia aliado a políticas públicas é um deles. Desde o início do contágio, o governo adotou um QR Code (isso mesmo) para monitorar indivíduos que vieram de regiões de risco. Por meio dele, as pessoas informam periodicamente os sintomas e estados de saúde – e o governo adota as medidas necessárias ao identificar locais e perfis de infectados por meio dos dados fornecidos.

O cenário de crises e incertezas que todos estamos vivendo tem se transformado em uma oportunidade para que as tecnologias propostas pelas GovTechs possam ganhar relevância e trazer o impacto positivo que tanto precisamos. É hora de estarmos atentos a esse potencial e refletindo sobre as possibilidades de aplicação dessas soluções no momento atual – e também para o que ainda virá.

Por Letícia Piccolotto Fundadora e diretora executiva do BrazilLab

Sobre o Autor

Redação

O Bizmeet é um das principais referências do Centro-Oeste nas áreas de Tecnologia e Inovação. É ganhador de prêmios regionais e até mundialmente reconhecido. Empresas e instituições de grande renome já investiram em iniciativas do portal

Sugestão de Pauta

Parcerias

Newsletter

Inscreva-se para receber notícias e atualizações.

Sua inscrição foi realizada com sucesso

Share This