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Telemedicina: lamentável revogação

Telemedicina: lamentável revogação

Por Ricardo de Figueiredo Caldas
Presidente do Sindicato das Indústrias da Informação do DF (Sinfor-DF)

Resolução publicada neste ano pelo Conselho Federal de Medicina tinha um dos mais nobres objetivos: aumentar o acesso da população ao atendimento médico. Porém, esse grande passo dado pela entidade para a modernização dessa área tão sensível do nosso País acabou de receber um golpe, e as novas regras foram revogadas na última semana.

Afinal, a regulamentação da telemedicina, ou atendimento médico virtual, é um avanço ou um retrocesso? Vai melhorar a qualidade da saúde no Brasil ou vai prejudicar a relação humana e social de confiança entre médico e paciente?

A telemedicina já existe no Brasil e é regulamentada por outra resolução, de 2002, de maneira tímida e simplificada. Nesse novo documento, as regras para o atendimento virtual de pacientes estavam mais detalhadas e asseguravam à população qualidade e segurança na relação com os especialistas.

O recuo que ocorreu no dia 22, segundo o CFM, foi em virtude do clamor de entidades médicas, que alegavam falta de tempo hábil para fazer considerações ao texto publicado no início do ano. Quem perde é o brasileiro, principalmente aqueles que moram longe dos grandes centros, que precisam seguir para outras cidades ou até para outros Estados para conseguir consultar um especialista.

Os avanços tecnológicos estão a cada dia mais acessíveis a todos. Ainda não temos carros voadores circulando por aí, mas criamos ferramentas melhores, mais úteis e que nos ajudam a viver com mais qualidade de vida. Vamos usá-las!

A tecnologia está em todas as áreas da sociedade, sempre com resultados positivos, seja na segurança, na educação, na mobilidade, na medicina. Avanços nos diagnósticos de imagens, cirurgias virtuais, teleconferências entre especialistas, aplicativos de monitoramento de taxas do organismo são alguns poucos exemplos de ferramentas que já facilitam a vida de quem precisa de cuidados médicos.

Segundo dados divulgados pela revista Veja na segunda semana de fevereiro, na Inglaterra o uso de cuidados a distância com idosos reduziu em 15% as visitas de emergência; em 20% as admissões hospitalares; em 14% a ocupação de leitos hospitalares; e em 45% as taxas de mortalidade. Nos EUA, 76% dos hospitais usam a telemedicina e 35 estados têm leis próprias sobre o assunto.

Um dos maiores desafios de qualquer governante deste País é a saúde. Filas intermináveis para consultas nos hospitais são apenas o primeiro obstáculo que a população enfrenta quando precisa de atendimento médico.

De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, feita em 2013 pelo IBGE e pela Fiocruz, 1,4 milhão de pessoas não conseguiram atendimento na primeira vez que procuraram ajuda médica naquele ano. Desses, 38,8% não o conseguiram por falta de médicos especialistas, e 32,7% voltaram para casa porque não havia senha suficiente para todos os pacientes.

Dar a oportunidade a essas pessoas de perguntar ao médico sobre os sintomas que sente, de mostrar por meio de uma câmera algo que o incomoda, sem precisar enfrentar horas de estradas tem um significado sem tamanho. O renomado médico Dráuzio Varela ponderou no início do ano no programa Fantástico, da Rede Globo, que a medicina se faz com as mãos, com o contato pessoal. No entanto ele não descarta que a tecnologia e a questão humana caminhem juntas. Para ele, esse é o futuro da profissão.

A resolução revogada do Conselho Federal de Medicina era segura! Quem tem medo da telemedicina? Imagine você com exames em mãos e ter de esperar o dia da consulta para ter a opinião do médico? Ou ter de se deslocar de uma cidade para outra para ter acesso a determinada especialidade médica?

Com tanta tecnologia à disposição, essa situação não é mais sustentável. Se quisermos menores filas nos hospitais, marcação de consultas mais dinâmica, contato imediato com médicos ao alcance das mãos e redução do sofrimento dos pacientes, a telemedicina é a solução. Pessoas consultadas perto de casa têm acesso a tratamentos preventivos e diminuem a necessidade de enfrentar as longas filas dos hospitais.

A tecnologia está aí para ser explorada em suas diversas possibilidades. A resistência por robôs é coisa do passado, não cabe mais em uma sociedade que necessita de soluções inovadoras para seus problemas.

Sobre o Autor

Ricardo Caldas

Diretor-presidente e fundador da Telemikro Telecomunicações Informática e Microeletrônica S.A., é graduado em Engenharia Elétrica - Departamento de Engenharia Elétrica - UnB (1984) e mestre pelo Departamento de Engenharia Elétrica - UnB (1987). Presidente do Sinfor - Sindicato das Indústrias da Informação do DF, também faz parte do Conselho da FIBRA, Conselho da ABES, Conselheiro no CATI e no Sesi-DF. Foi primeiro vice presidente da Federação das Indústrias do Distrito Federal, Conselheiro no Conselho de Ciência e Tecnologia do Distrito Federal, vice presidente do Sindicato da Indústria da Informação do DF - Sinfor, Conselheiro na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Distrito Federal, Conselheiro da CNI - Confederação Nacional da Indústria.

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