O Brasil não melhorou seu desempenho em inovação e manteve a 69ª colocação no Índice Global de Inovação, divulgado no último dia 15, na Suíça, pela Universidade Cornell, a escola de negócios Insead e a Organização Mundial de Propriedade Intelectual (Ompi). O ranking examinou dezenas de critérios para avaliar a perfomance de 127 países. Mesmo sendo a maior economia da América Latina e do Caribe, o Brasil ocupa apenas a 7º posição no ranking regional (dentre 18 países), sendo o Chile a nação mais inovadora da região.

Pelo sétimo ano seguido, a Suíça ocupa o topo da lista. Suécia, Países Baixos, Estados Unidos e o Reino Unido completam os cinco primeiros lugares do ranking. Países emergentes como Índia, Quênia e Vietnã apresentaram resultados superiores a economias com níveis semelhantes de desenvolvimento. A cada ano, o Índice Global de Inovação estuda diversos indicadores, desde registros de patentes, despesas em educação, instrumentos de financiamento, entre outros, para construir o ranking. Em 2017, o Brasil sediará pela primeira vez o Fórum do Índice Global de Inovação, no dia 27 de junho, primeiro dia do Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, iniciativa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)

AMÉRICA LATINA – O Brasil ficou atrás de diversos vizinhos latinos no ranking regional de inovação. Na América Latina e Caribe, o país mais bem colocado é o Chile (46º), seguido por Costa Rica (53º), México (58º), Panamá (63º), Colômbia (65º) e Uruguai (67º).

Entre 2016 e 2017 houve uma melhora tímida no ranking de eficiência da inovação. O Brasil passou da 100ª posição para a 99ª, mas perdeu posições no ranking de renda média – passou de 17º para 18º. O panorama da inovação no país mudou de otimismo para preocupação em sete anos. Em 2011, ocupava a 47ª posição – a melhor colocação já registrada – mas caiu para a 69ª em 2016 e em 2017. A posição geral só não é pior do que a aferida em 2015, em que o Brasil ocupou o 70º lugar.

“As classificações do Índice Global de Inovação desta região não registraram progressos significativos, relativamente a outras regiões, no decorrer dos últimos anos, e nenhum país da América Latina e do Caribe mostra atualmente desempenhos notáveis em matéria de inovação, levando em conta o seu nível de desenvolvimento”, aponta o documento.

Apesar disso, o relatório ressaltou pontos positivos nas principais economias da região. “Chile, México, Brasil e Argentina registram bons desempenhos nas áreas do capital humano e de pesquisa, tais como a qualidade de suas universidades, matrícula em educação superior e presença de empresas globais de P&D, assim como em matéria de tecnologia da informação e das comunicações, graças aos seus altos índices em matéria de serviços oficiais online e de participação online”, detalha o relatório.

“Como a América Latina, e especialmente o Brasil, está retornando a taxas de crescimento positivas, é importante estabelecer as bases para um desenvolvimento impulsionado pela inovação, principal objetivo da Mobilização Empresarial para a Inovação (MEI),” destaca Robson Braga de Andrade, presidente da CNI.

DEFASAGEM – Em sua décima edição, o documento assinala um fosso constante na capacidade de inovação entre as nações desenvolvidas e em desenvolvimento, bem como medíocres índices de crescimento para as atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), tanto no âmbito governamental como empresarial. “A inovação é o motor do crescimento econômico numa economia global cada vez mais baseada no conhecimento, mas um maior volume de investimentos é necessário para estimular a criatividade humana e o desempenho econômico”, diz Francis Gurry, diretor-Geral da OMPI.

Em 2017, a Suíça lidera as classificações pelo sétimo ano consecutivo, em que as economias de alta renda ocupam 24 das 25 posições mais elevadas – sendo a China uma exceção, na 22ª posição. Em 2016, a China tornou-se a primeira economia de rendimento médio a figurar entre as 25 primeiras. “Os esforços para superar o fosso da inovação têm de começar com o estímulo da tomada de consciência das economias emergentes dos seus pontos fortes e fracos em matéria de inovação e com a criação de políticas e indicadores adequados,” declarou Soumitra Dutta, da Faculdade de Administração de Empresas, Reitor da Universidade Cornell.

Ainda segundo o estudo, um grupo de economias de rendimento médio e baixo tem registrado um desempenho na área da inovação significativamente melhor do que o seu nível atual de desenvolvimento poderia pressupor. Ao todo, 17 países foram classificados como “conquistadores da inovação” este ano, marcando um leve aumento em relação a 2016. Desses, nove são oriundos da região da África Subsaariana, como o Quênia e Ruanda, e três são oriundos da Europa Oriental.

Paralelamente a locomotivas da inovação como a China, Japão e República da Coreia, um grupo de economias asiáticas que inclui Indonésia, Malásia, Singapura, Tailândia, Filipinas e Vietnam tem feito um grande esforço em prol do aperfeiçoamento dos seus ecossistemas de inovação e da conquista de uma posição elevada em um certo número de indicadores importantes relacionados com a educação, P&D, crescimento da produtividade e, entre outros, de exportações de produtos de alta tecnologia.

Novos rumos

“A inovação é fator fundamental para o crescimento de uma região. Dessa forma, é necessária a revisão urgente na políticas pública de CT&I”, diz a coordenadora do Bizmeet, Juliana Ribeiro. “Além disso, as lideranças devem traçar planos com o objetivo de promover inovações a curto e médio prazo”, diz a executiva.
Da Redação com informações da Agência CNI