O Brasil continua como primeiro colocado no ranking de “phishing” (invasão de conta para obter dados pessoais do usuário) da Kaspersky Lab, empresa de antivírus.

No país, 18,1% dos usuários foram alvo do crime no segundo trimestre de 2017. Em segundo lugar ficou a China, com 12,9% —os ataques não necessariamente partem dos países onde estão os alvos.

O Brasil está no topo da lista desde 2015. Em 2016, brasileiros sofreram 27,6% dos ataques de “phishing” do mundo e também foram os mais atacados por cavalo de troia, vírus que fica “escondido” em downloads.

A liderança no ano passado foi atribuída em parte à Olimpíada, que atraiu interesse de criminosos estrangeiros, mas o relatório do Kaspersky afirma que existe uma “cultura Robin Hood” entre hackers brasileiros, especialmente na aceitação de ataques contra bancos.

No ano passado, o Banrisul, por exemplo, foi vítima de um ataque, segundo a companhia de segurança. “Os [criminosos virtuais] postam fotos em rede sociais exibindo dinheiro roubado, celebrando a ostentação”, afirmou a empresa russa.

A Kaspersky cita o “Rap dos Hackers”, música de autoria desconhecida cujos versos explicitam a prática: “Sou criminoso / Terrorista virtual / Hacker de responsa e vagabundo sempre paga um pau”.

Para não sofrer “phishing”, é importante não abrir e-mails suspeitos e não baixar nada de procedência desconhecida, além de estar com o antivírus atualizado.

O Brasil foi considerado o ambiente virtual mais perigoso para bancos em 2014 pela Kaspersky. Em 2015, bancos brasileiros perderam R$ 1,8 bilhão com ataques virtuais, segundo a Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

De acordo com o estudo do Kaspersky, 23% dos bancos foram alvos de “phishing” em 2016, assim como 18,4% dos sistemas de pagamento e 9,58% das lojas virtuais. Bases de dados de outros antivírus apontam o Brasil como fonte de ataques. A Symantec concluiu que, em 2016, a maior parte de ameaças on-line veio dos Estados Unidos (24%), seguidos da China (9,6%) e do Brasil (5,8%).

Do ponto de vista das empresas, porém, o país não é especialmente visado, de acordo com a KPMG. A auditoria diz que, das empresas brasileiras, 25% dizem ter sofrido ciberataques nos últimos dois anos. Já no Japão, foram 55%, e, na Suíça, 54%.

É possível concluir, pelo estudo, que os alvos dos ataques brasileiros estão principalmente no exterior. “As multinacionais em países desenvolvidos são mais desejadas”, diz Cláudio Soutto, sócio da KPMG no Brasil.

Na China, a fatia das empresas que sofreram ataques é de 25%, e, na Índia, de 18%.