O Banco Central brasileiro quer incluir marketplaces em uma nova regra que obriga o uso da CIP (Câmera Interbancária de Pagamentos), o que pode elevar o custo de startups e empresas desse nicho. Atualmente, os marketplaces centralizam todo o valor arrecada com a venda no cartão de crédito e depois efetuam a divisão de valores (do valor do produto vendido e comissão) usando TEDs e DOCs para os terceiros.

A partir de setembro, todas as transações deverão ser feitas através da CIP e a quantia já deverá ser completamente separada imediatamente. Além disso, será necessário abrir uma área de compliance em cada startup e o custo de acesso da CIP é gigantesco para quem realiza milhares de operações por dia com baixo ganho – como é o caso de prestadoras de serviço como iFood e 99. Para centenas de pequenos marketplaces, a conta vai parar de bater.

Diversos negócios estão ameaçados, também pela possibilidade da perda do float – que é o dinheiro que a empresa retém e usa de capital de giro antes de receber o dinheiro da transação do cartão de crédito, que leva até 32 dias para ocorrer. “Quem não previu isso no modelo de negócios agora vai ter que se adaptar e rever a própria estrutura do negócio”, afirma Vitor Moura, CEO da startup Vida Class.

O grande problema de gerenciar separadamente os custos é a implementação do sistema, que é trabalhosa, tem custo elevado – proibitivo para empresas “em garagem” – e consume recursos técnicos que poderiam ser usados. “Por isso, muitas startups preferiram adotar o gerenciamento de recursos conjunto. O que muitas não esperavam é que o Banco Central pudesse mudar as regras e obrigar a homologação pela Câmara Interbancária de Pagamentos”, disse Moura.

Da Redação com informações do Start-se